Luto

A dor e o sofrimento que se seguem à experiência de perder alguém de quem gostamos, um membro da família ou um amigo, são normais. Estes sentimentos podem acontecer imediatamente a seguir à perda de alguém ou nos meses que se seguem ao seu desaparecimento. Não existe uma forma “certa” de fazer o luto e superar a perda de alguém – somos todos diferentes e temos reacções e sentimentos diferentes perante a perda.

Quando nos confrontamos com a morte de alguém podemos ficar em choque e não querermos acreditar que a pessoa morreu realmente; desejar que essa pessoa estivesse presente e pudéssemos tocar-lhe; sentir raiva ou ressentimento por ela nos ter deixado ou culpados, por não termos sido capazes de a salvar ou por continuarmos vivos. Podemos sentir-nos ansiosos face ao futuro sem essa pessoa, estar constantemente a pensar nela, termos dificuldades em dormir e perdermos o apetite.

O luto leva tempo. Podemos ter “altos” e “baixos” nos meses ou anos após a morte de alguém que amamos. No entanto, a maior parte das pessoas conseguem continuar a sua vida enquanto lidam com a dor de perder alguém. As coisas vão-se tornando mais fáceis à medida que o tempo passa, sobretudo após os primeiros seis meses, e gradualmente conseguimos viver mais “tempos bons” do que “tempos difíceis”.

Mas há pessoas que não são capazes de lidar com a dor de perder alguém e, lentamente recomeçar as suas vidas. Para estas pessoas, a dor é intensa e o luto demora mais tempo do que o habitual, interferindo com a sua capacidade de continuar a viver. Podem ter problemas de saúde mental como a depressão, aansiedade ou mesmo pensar em suicídio. Para qualquer um destes problemas existem tratamentos eficazes.

Para além da experiência de perder alguém, existem outras experiências de perda que também nos podem causar muita dor e sofrimento. Por exemplo, separação e divórcio, perda do emprego ou reforma, perda da saúde física e independência, infertilidade ou emigração.

Se já passou muito tempo após a morte de alguém que amava (ou de outra experiência de perda) e não consegue retomar a sua vida quotidiana, procure ajuda.

Fobias

As fobias são medos irracionais. Quando temos uma fobia ficamos ansiosos e com medo perante situações e objectos muito específicos, como por exemplo, aranhas, alturas, espaços cheios de pessoas ou aviões.

O medo é um sentimento normal e positivo perante situações em que existe uma ameaça real. Por exemplo, se estivermos a ser atacados numa situação de assalto o medo vai ajudar-nos a reagir. O medo só se torna uma fobia quando nos sentimos ameaçados, de modo exagerado ou irrealista, perante uma situação ou objecto que não representa uma ameaça. Sabemos que não há razão para tanto medo, mas mesmo assim não conseguimos evitar. Por exemplo, mesmo sabendo que as aranhas não são venenosas e não nos vão morder, isso não reduz a nossa ansiedade.

Quando temos uma fobia podemos dar-nos a muito trabalho para evitar as situações ou os objectos que nos obrigariam a confrontar o nosso medo. Sempre que somos confrontados com essas situações ou objectos ficamos muito ansiosos e podemos até ter um ataque de pânico.

Existem muitos tipos de fobias, desde as mais simples – por exemplo, fobia de cobras, do escuro, de voar, de ir ao dentista ou de ver sangue – às mais complexas – por exemplo, fobia social (sentir-se ansioso na presença de outras pessoas, com medo de ser criticado ou de fazer alguma coisa embaraçosa) ou agorafobia (medo de estar em espaços abertos ou em situações das quais seja difícil escapar ou sejam embaraçosas, por exemplo, ir a um Centro Comercial, viajar de autocarro ou mesmo sair de casa).

As fobias são comuns e podemos sentir que as nossas não são perturbadoras o suficiente para afectar a nossa vida. No entanto, se evitar o objecto/actividade/situação que despoleta a sua fobia interfere com a sua vida quotidiana ou o impede de fazer coisas que deseja (por exemplo, deixar de sair com os amigos, deixar de viajar ou evitar determinados locais), saiba que existem tratamentos eficazes, procure ajuda.

Depressão Pós-Parto

Ter um bebé é, supostamente, um momento de grande felicidade e alegria. No entanto, nem sempre as mães se sentem assim. Muitas mães, durante um período breve, sentem-se emotivas, infelizes e chorosas. Esta situação começa 3 a 10 dias após o parto e afecta muitas mães. É tão comum que é considerada normal. Muitos pais sentem-se também desta forma. Estes “baby blues”duram apenas alguns dias.

No entanto, cerca de 10% a 15% das mães desenvolvem sentimentos depressivos mais profundos e duradouros, conhecidos como Depressão Pós-Parto (DPP). A Depressão Pós-Parto desenvolve-se normalmente nas seis semanas seguintes ao parto e pode aparecer gradualmente ou de repente.

As mães podem sentir-se tristes, inúteis, sem esperança no futuro, cansadas e incapazes, irritadas e zangadas, culpadas e agressivas para com o bebé ou o companheiro. Quando as mães experienciam pensamentos sobre a morte ou fazer mal a si próprias ou ao bebé, podem ficar assustadas e sentir que estão a ficar “malucas” ou a perder o controlo. Podem sentir vergonha e não querer partilhar estes sentimentos com ninguém.

Quanto mais depressa reconhecermos os sintomas de uma Depressão Pós-Parto e encontrarmos tratamento, mais depressa a depressão passará e o sofrimento será menos grave, afectando menos a mãe e o bebé. Existem tratamentos eficazes para a Depressão Pós-Parto. Procure ajuda aqui.

Mais informações sobre a DPP em: https://www.maemequer.pt/a-vida-com-o-seu-bebe/pos-parto/corpo-e-mente/a-realidade-da-depressao-pos-parto/

Depressão

A depressão é um dos problemas de saúde mental mais comuns. Pode fazer-nos sentir tristes, desesperados, inúteis e sem valor, desmotivados e exaustos.

Pode afectar a nossa auto-estima, o nosso sono, o apetite e a líbido, podendo interferir com as nossas actividades diárias e, às vezes, com a nossa saúde física.

Veja este fantástico vídeo elucidativo, da Organização Mundial de Saúde (OMS), sobre o ‘Cão Negro’ (depressão).

Costumamos usar a expressão “estou deprimido” quando nos sentimos tristes e muito insatisfeitos com a nossa vida. Mas, normalmente, estes sentimentos passam. É normal sentirmo-nos tristes e infelizes com a perda de alguém que amamos, com uma separação ou com uma grande desilusão/frustração. Estas reacções emocionais são adequadas à situação que estamos a viver e têm uma duração limitada. Contudo, se estes sentimentos interferirem com a nossa vida e não desaparecerem após duas semanas, ou se estiverem constantemente a voltar, podemos estar deprimidos no sentido clínico do termo. Na sua forma mais leve, a depressão significa que nos sentimos mais “em baixo”.

Não nos impede de continuar com a nossa vida normal, mas torna tudo mais difícil de fazer e faz parecer que o nosso esforço é inútil e vão. Na sua forma mais grave, a depressão pode ameaçar a nossa integridade física e fazer-nos ter vontade de desistir de viver (suicídio).

A depressão manifesta-se nos nossos sentimentos (ex: sentimo-nos tristes, desesperados ou vazios; choramos facilmente e isolamo-nos dos outros), nos nossos pensamentos (ex: temos dificuldade em nos concentrarmos e tomarmos decisões; culpamo-nos sobre tudo e vemos sempre o lado negativo do que acontece), nos nossos comportamentos (ex: deixamos de fazer actividades que nos davam prazer, evitamos situações e não nos apetece falar) e no nosso corpo (ex: temos dificuldade em dormir ou dormimos demasiado, sentimo-nos sem energia e perdemos o apetite/comemos em excesso, consumimos mais tabaco ou álcool do que é habitual).

A depressão não é “fita” nem “falta de força de vontade.

A depressão não se resolve com “pensamento positivo” nem basta a pessoa “reagir”.

Se se sente deprimido, pode sentir que nada nem ninguém o conseguirão ajudar. Mas isso não corresponde à verdade: existem tratamentos eficazes para a depressão. A maior parte das pessoas recuperam de episódios e períodos depressivos. Se os seus sentimentos negativos não desaparecem, não consegue lidar com eles ou interferem com a sua capacidade de fazer a sua vida normalmente, procure ajuda.

 

Andrew Solomon e a vitalidade como ‘tónico’ no combate à depressão:

Ataques de Pânico

Às vezes, quando os sentimentos de medo e ansiedade são em excesso e nos sobrecarregam, podemos experienciar um ataque de pânico.

Um ataque de pânico é uma resposta exagerada do nosso corpo ao medo ou ao stresse. De repente somos invadidos por um conjunto de sensações intensas como o batimento rápido do coração, sensação de desmaio, suores, náuseas, dores no peito, dificuldade em respirar ou sentimento de perder o controlo. Podemos pensar que estamos a enlouquecer, a desmaiar ou a ter um ataque cardíaco. Podemos até ficar convencidos que vamos morrer, o que torna esta experiência ainda mais aterrorizante.

Os ataques de pânico acontecem e atingem o seu pico rapidamente, durando normalmente entre 5 a 20 minutos.

Os ataques de pânico podem acontecer sem razão aparente e podemos não compreender porquê. Quando experienciamos múltiplos ataques de pânico de forma completamente imprevisível e sem sermos capazes de identificar o que os provoca, podemos ter uma Perturbação do Pânico e viver no medo constante de experienciarmos um novo ataque. A mera possibilidade de experienciar outro ataque de pânico (o “medo de ter medo”) pode trazer tanta ansiedade que causa de facto um ataque de pânico.

É muito difícil lidar sozinho com os ataques de pânico e a sua intensidade e frequência podem aumentar ao longo do tempo.Existem tratamentos eficazes e várias coisas que podemos fazer para reduzir e gerir a nossa ansiedade. Se pensa que a ansiedade e os ataques de pânico estão a afectar a sua qualidade de vida, procure ajuda psicológica.